Após provocações como “faça terapia” e “figura lamentável”, ministro deixa plenário durante votação
Imagem: Reprodução/PA
Na quinta-feira (15/10/2025), o ministro Luiz Fux deixou o plenário do STF em Brasília após forte confronto com o ministro Gilmar Mendes, que durante voto fez duras críticas à Operação Lava Jato e disparou ofensas ao colega. O episódio repercute no cenário jurídico e político nacional.
Causa do embate: críticas ácidas à Lava Jato
Golpe após golpe em seu discurso, Mendes acusou procuradores da Lava Jato de “cretinos”, criticou o uso de fundos para administrar valores penais e sugeriu que Fux fizesse terapia para “se livrar da Lava Jato”.
Também o chamou de “figura lamentável”, intensificando a tensão entre os dois magistrados da Corte.
Minutos antes, Fux havia pedido vista de recurso que envolve o ex-juiz Sérgio Moro em ação de calúnia contra Mendes — movimento que pode ter alimentado o desentendimento.
A saída dramática de Fux
Com a escalada verbal, Fux levantou-se e deixou o plenário, sem retorno previsto para o restante da sessão.
A medida foi vista como reação ao incômodo causado pelas críticas pessoais e a repercussão institucional do embate.
Mesmo após a saída, Gilmar manteve o tom ofensivo e seguiu seu voto com ataques ao modus operandi da Lava Jato.
Relações conflituosas no STF e legado da Lava Jato
A tensão entre Mendes e Fux reflete disputas institucionais profundas sobre o papel da Corte em controlar abusos judiciais e da força-tarefa da Lava Jato.
Gilmar Mendes tem sido crítico frequente da Lava Jato, acusando-a de excessos e intervenções indevidas no equilíbrio entre poderes.
Já Fux, em diferentes ocasiões, também tem exercido postura cautelosa, pedindo vistas ou postergando decisões sensíveis para evitar ruídos ao STF.
Desdobramentos possíveis e riscos institucionais
A saída repentina de um ministro durante sessão pode enfraquecer a imagem de colegialidade e harmonia da Corte perante a sociedade.
Também pode gerar impactos em julgamentos pendentes ligados à Lava Jato, com aumentos de cautela ou embaraços por embates internos.
Eventuais conflitos internos podem ser explorados politicamente, alimentando narrativas de “ativismo judicial” ou guerras de toga.
Para o cidadão e para o futuro do STF
O episódio escancara que decisões judiciais de alto impacto não ocorrem em vácuo — há disputas pessoais, estratégicas e simbólicas por trás.
Quem espera que o STF aja de forma neutra e uníssona pode se decepcionar — as tensões internas podem frear condenações ou liberar absolvições.
A sociedade pode exigir mais transparência institucional, regulação clara de condutas e mecanismos que diminuam o risco de transformações judiciais serem contaminadas por disputas pessoais.
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