Após ironizar o desaparecimento do pai do atual presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) durante a ditadura militar, o presidente Jair Bolsonaro trocou quatro dos sete integrantes da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos. Entre os novos membros estão filiados ao PSL, partido do presidente, e oficiais do Exército.
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| Mudança na Comissão aconteceu após Bolsonaro ironizar o desaparecimento de um dos perseguidos políticos pela ditadura militar. (Foto: Marcos Correa/PR) |
Questionado do motivo das mudanças, Bolsonaro disparou contra jornalistas e justificou dizendo que “agora o presidente é de direita”.
"O motivo [é] que mudou o presidente, agora é o Jair Bolsonaro, de direita. Ponto final. Quando eles botavam terrorista lá, ninguém falava nada. Agora mudou o presidente. Igual mudou a questão ambiental também", afirmou Bolsonaro nesta manhã na saída do Palácio da Alvorada.
O decreto foi assinado pelo presidente e pela ministra da Mulher, Direitos Humanos e da Família, Damares Alves, - a quem a comissão está submetida - e foi publicado nesta quinta-feira (1). Estes são os novos integrantes da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos:
- Marco Vinicius Pereira de Carvalho (advogado filiado ao PSL) substitui Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, atual presidente do colegiado
- Weslei Antônio Maretti (coronel reformado do Exercito) substitui Rosa Maria Cardoso da Cunha (ex-integrante da Comissão da Verdade)
- Vital Lima Santos (oficial do Exército) substitui João Batista da Silva Fagundes (coronel da reserva e ex-deputado)
- Filipe Barros Baptista de Toledo Ribeiro (deputado federal do PSL) substitui Paulo Roberto Severo Pimenta (deputado federal do PT)
Criada pela lei nº 9.140, em 1995, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos tem como objetivo reconhecer mortos ou desaparecidos por atividades políticas entre 1961 a 1979, período que vai até o ano em que foi promulgada a Lei da Anistia.
“BALELA”
Na manhã de terça-feira (30), Bolsonaro ironizou e confundiu informações ao falar sobre a Comissão Nacional da Verdade (CNV), além de contestar dados do próprio Estado e alegar erroneamente que não que existem documentos que tratem sobre a morte de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.
O presidente também emendou, sem responder a perguntas de jornalistas, em questionamentos sobre a OAB, disse serem “balela” documentos sobre mortes na ditadura militar e, questionado se iria contestar a CNV com informações que tem, ironizou:
“Mas você acredita em Comissão da Verdade?”, retrucou.
Bolsonaro insinuou que a morte de Santa Cruz foi um justiçamento da esquerda. No entanto, documentos do próprio Estado brasileiro desmentem a versão ventilada pelo presidente. O pai de Felipe Santa Cruz foi preso e desapareceu em 1978.
Um documento secreto da Aeronáutica, de 1978 registra a prisão e o atestado de óbito de Fernando Santa Cruz como uma morte pelo Estado, o que Bolsonaro desconversa. A Comissão da Verdade foi criada em 2012 para apurar violações de direitos humanos no Brasil, especialmente durante a ditadura.
Ainda no tema dos documentos, Bolsonaro foi questionado se tinha conhecimento de documentos que indicassem que Santa Cruz foi morto pela a esquerda.
“Você quer documento para isso? Meu deus do céu. Documento é quando a gente casa, quando você se divorcia... Eles têm documento dizendo o contrário?”

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