Ministro do Clima e Meio Ambiente anuncia suspensão de R$ 130 milhões para o Brasil
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| Imagem registra devastação no Pará Foto: Raphael Alves/AFP/13-10-2014 |
Do oglobo
Noruega paralisa repasses para o Fundo Amazônia
O ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Ola
Elvestuen, anunciou nesta quinta-feira a suspensão dos repasses de 300 milhões
de coroas norueguesas, o equivalente a R$ 133 milhões, que seriam destinados ao
Fundo Amazônia.
Segundo o jornal norueguês "Dagens
Næringsliv" (DV), especializado em negócios, o governo local estaria
insatisfeito com a nova configuração dos comitês do Fundo, que está sendo
discutida em Brasília. A Noruega e a Alemanha já se declararam contrárias às
mudanças.
Criado em 2008, o Fundo Amazônia recebeu, até hoje,
R$ 3,3 bilhões em doações, sendo que 93% da quantia (R$ 3,18 bilhões) veio da
Noruega. O volume de repasses é condicionado ao índice de desmatamento - quanto
maior for seu avanço, menores são as verbas obtidas.
- O Brasil rompeu o acordo com a Noruega e a
Alemanha desde o fechamento da diretoria do Fundo Amazônia e do Comitê Técnico.
Eles não podem fazer isso sem acordo com a Noruega e a Alemanha - disse
Elvestuen ao DV.
O ministro indicou que, nos últimos meses, os índices
de devastação da Amazônia se multiplicaram em relação ao mesmo período do ano
anterior. De acordo com ele, isso mostraria que o governo brasileiro "não
quer mais parar" o desmatamento.
A comunidade científica, segundo Elvestuen, está
preocupado que o desmatamento leve o bioma a um "ponto de inflexão" -
a devastação seria tamanha que afetaria a formação de chuvas, provocando a
destruição de toda a floresta.
— Isso é muito sério para toda a luta pelo clima. A
Amazônia é o pulmão do mundo e todos nós dependemos inteiramente da proteção da
floresta tropical. Não há cenários para atingir as metas climáticas sem a
Amazônia — alertou Elvestuen o ministro.
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas, 11% das emissões anuais de gases estufa são provocadas
pelo desmatamento de florestas tropicais.
Mudança de rumo
Desde o início do governo Bolsonaro, o ministro do
Meio Ambiente, Ricardo Salles, critica a destinação dos recursos do Fundo
Amazônia e as supostas "inconsistências" de sua gestão pelo BNDES.
Para Salles, o fundo teria se transformado num
mecanismo de mera distribuição de verbas, sem dispositivos de avaliação dos
resultados, o que colocaria em risco os objetivos estabelecidos para a sua
própria constituição.
O banco de desenvolveu afastou a chefe do
Departamento de Meio Ambiente, Daniela Baccas, responsável pela administração
das doações do Fundo Amazônia. No entanto, a Controladoria-Geral da União e os
governos da Alemanha e da Noruega não corroboraram as suas críticas de Salles.
O GLOBO entrou em contato com o Ministério do Meio
Ambiente brasileiro e com a Embaixada da Noruega, mas ainda não obteve
resposta.
A Alemanha já havia anunciado o corte de repasses
ao Brasil, mas restritos a projetos de preservação da floresta que não estavam
ligados ao Fundo Amazônia. O governo brasileiro reagiu afirmando não precisar
do dinheiro do país europeu.

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