O jornalista Glenn Greenwald, que passou a ser investigado pela Polícia Federal após denunciar o ex-juiz Sergio Moro, que comanda a PF, diz que o ministro da Justiça usa táticas desesperadas de intimidação e que isso não o fará deixar o Brasil
247 – "Isso: eu poderia deixar o Brasil a qualquer momento e fazer esse jornalismo e publicar esses documentos dos EUA ou da Europa. Mas eu não vou. Vou ficar. Por que? Porque conheço táticas desesperadas de intimidação, como as que Moro está usando, e sei que eles não têm nada", escreveu o jornalista Glenn Greenwald, que passou a ser sendo investigado pela Polícia Federal após denunciar a fraude processual comentida por Sergio Moro nos processos contra o ex-presidente Lula. Confira abaixo seu tweet e também a reportagem da Sputinik:
Isso: eu poderia deixar o Brasil a qualquer momento e fazer esse jornalismo e publicar esses documentos dos EUA ou da Europa. Mas eu não vou. Vou ficar. Por que? Porque conheço táticas desesperadas de intimidação, como as que Moro está usando, e sei que eles não têm nada. https://t.co/QHqo9caAI9— Glenn Greenwald (@ggreenwald) 3 de julho de 2019
A nota postada na tarde desta terça-feira afirma que o objetivo do pedido da PF – corporação equivalente ao FBI e que é subordinada ao ministro Sergio Moro – é verificar qualquer movimentação suspeita que possa estar relacionada à invasão de celulares de integrantes da Operação Lava Jato.
Ainda de acordo com O Antagonista, Greenwald só será investigado em caso de existir algum indício que ele possa ter participação no que a página chama de "serviço criminoso" por encomenda.
A publicação da nota gerou reações. Em sua página no Twitter, Greenwald declarou que a ação da PF, se confirmada, estaria configurada como "abuso de poder". Em uma mensagem direta a Moro pela rede social, o jornalista do The Intercept Brasil sugeriu que ele "investigue tudo o que quiser".
Presente nesta terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Moro não respondeu se a PF está mesmo investigando as finanças de Greenwald. Ele voltou a questionar a veracidade do conteúdo e declarou apenas que essa e outras perguntas devem ser feitas "ao órgão certo".
Entretanto, em outro momento da audiência com os deputados, o ministro da Justiça afirmou que, na sua opinião, "alguém com muitos recursos está por trás dessas invasões", reforçando uma narrativa de que a invasão de celulares é o que alimenta a série de reportagens que o The Intercept Brasil vem fazendo acerca de supostos diálogos entre ele e procuradores da Lava Jato.
Já Greenwald garante que o conteúdo dos vazamentos não são obra de um ataque de hackers a celulares, preferindo evocar o direito de sigilo à fonte, previsto na Constituição Federal.
Em entrevista à Sputnik Brasil na segunda-feira, a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Maria José Braga, avaliou que as ameaças que Greenwald vêm sofrendo podem ser classificadas como um atentado à liberdade de imprensa no Brasil.

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