Delegada Erika Marena, da PF, diz ao procurador Athayde Ribeiro Costa que, por orientação de Sérgio Moro, não tinha pressa em protocolar a “planilha/agenda” apreendida com a AG Energia; o então juiz sabia da existência da planilha quando foi inquirido por Teori Zavascki, do STF, e mentiu ao ministro ou teria tomado conhecimento da planilha após a inquirição
A conversa era referente ao caso de Flávio David Barra, preso em 28 de julho de 2015, quando presidia a AG Energia, do grupo Andrade Gutierrez. Sua detenção ocorreu na Operação Radioatividade, relacionada a pagamentos de propina feitos por empreiteiras a Othon Luiz Pinheiro da Silva, da Eletronuclear, responsável pela construção da usina nuclear Angra 3.
Em 25 de agosto, a defesa dele pediu ao ministro do STF Teori Zavascki a suspensão do processo tocado pela 13ª Vara de Curitiba sob o argumento de que Moro não tinha competência para julgar o caso por haver indício de envolvimento de parlamentares com foro privilegiado. Um deles seria o então senador Edison Lobão (MDB-MA).
Após a reclamação, Zavascki cobrou explicações de Moro, que diz não saber nada sobre o envolvimento de parlamentares. O então ministro do STF suspendeu as investigações em 2 de outubro e, por consequência, Moro remeteu o caso de Curitiba para Brasília três dias depois.
O fato é que um diálogo registrado no Telegram entre o procurador Athayde Ribeiro Costa e a delegada Erika Marena, da Polícia Federal, evidencia que Moro feriu a equidistância entre magistrado e a parta acusatória. Costa diz precisar com urgência de uma “planilha/agenda” apreendida com Barra que descreve pagamentos a vários políticos. Marena responde que, por orientação de “russo” (Moro), não tinha tido pressa em “eprocar” a planilha (tradução: protocolar o documento no sistema eletrônico da Justiça). “Acabei esquecendo de eprocar”, disse. “Vou fazer isso logo”, complementa.
O diálogo aponta que Moro já sabia da existência da planilha quando foi inquirido por Zavascki e mentiu ao ministro ou teria tomado conhecimento da planilha depois da inquirição de Zavascki e pediu à delegada para “não ter pressa” em protocolar o documento. Ou seja, seria uma manobra tinha como objetivo manter o caso em Curitiba.

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